Os casos de covid-19 voltaram a aumentar nos últimos dias em Umuarama; as UTIs das alas Covid seguem lotadas; as aglomerações e festas tornaram-se comuns entre quinta-feira e domingo; jovens parecem não ter receio da contaminação pelo coronavírus: esta é a situação ante à pandemia na cidade.

O debate dessas realidades foi travado nesta quinta-feira (6) por integrantes do COE Municipal, que é o Centro de Operações de Enfrentamento à Covid-19. A preocupação dos membros deste grupo é grande, já que eles são os responsáveis por orientar e recomendar as ações que devem ser tomadas pela administração municipal.

Maristela de Azevedo Ribeiro, diretora da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) de Umuarama, coordenou a reunião, que contou, dentre outros, com a participação do médico infectologista Ricardo Delfini Perci e do promotor de Justiça Marcos Antonio de Souza. Ela demonstrou ainda preocupação com a chegada do inverno. “O frio favorece o contágio do vírus, por isso precisamos unir forças e seguir com o enfrentamento, ampliando as ações dentro do que for possível”, alertou.

As internações em unidades de terapia intensiva no hospital de campanha, montado no Pronto Atendimento 24h, também seguem aumentando, conforme informou Bruna Pinheiro Pereira, coordenadora do PA. “Tivemos uma redução de casos e internamentos após o lockdown, mas a calmaria durou poucos dias. A enfermaria do PA 24h chegou a ficar vazia, mas nesta quinta já contava com 10 pessoas internadas, algumas inclusive intubadas”, registrou.

O Pronto Atendimento está estruturado com equipe, respiradores e demais equipamentos para assistir aos doentes com quadro grave de covid, até a liberação de leitos hospitalares – que continuam com alta taxa de ocupação.

Houve na reunião a sugestão de uma atuação mais ostensiva das forças de segurança em apoio à fiscalização sobre as aglomerações de jovens registradas nos finais de tarde, principalmente às quintas e sextas-feiras. “Diante da suposta ‘maior resistência’ ao vírus, eles nem sempre procuram assistência médica quando sentem os sintomas iniciais da infecção”, observou Dr. Ricardo Perci.

Da mesma forma, foi sugerida uma atenção especial também com os esportes amadores, autorizados no último decreto do município, preocupação apresentada ao secretário municipal de Esportes e Lazer, Jeferson Ferreira, que também participou da reunião.

Já o promotor de Justiça ressaltou que ainda é evidente a falta de consciência de parte da população para a gravidade da pandemia no sistema de saúde, a falsa sensação de ‘segurança’ de muitos jovens e o cansaço da população, que está há mais de 13 meses tomando medidas preventivas.

Mesmo assim, segundo ele, não se pode desanimar. “Se a população não tomar os cuidados, o poder público tem de ser mais rígido nas medidas”, disse Dr. Marco Antonio de Souza, relatando a dificuldade de fiscalizar grandes aglomerações. “Precisamos de mais efetivo policial e de operações constantes”, completou.

Todas as análises e sugestões abordadas no encontro – que contou também com a presença de membros que compõem o colegiado do COE – foram incluídas em ata e terão as discussões aprofundadas, que servirão para embasar o direcionamento das estratégias de combate à pandemia no município, levando em conta também as resoluções do governo do Estado.

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