Cidades REVIRAVOLTA
MP denuncia filho de um dos mortos em briga por pé de manga em São Domingos das Dores
Ministério Público aponta que homem de 53 anos golpeou a cabeça de Eberton Silvestre Guimarães Barros com um pedaço de madeira após confronto; caso pode ir a júri popular.
23/10/2026 07h09
Por: Click de Minas
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Uma briga entre vizinhos por causa da poda de um pé de manga terminou em duas mortes na zona rural de São Domingos das Dores, no Leste de Minas. O caso teve uma reviravolta: o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou o filho de um dos homens mortos por homicídio triplamente qualificado.

Segundo a denúncia, o homem, de 53 anos, teria voltado ao local após o confronto e golpeado a cabeça de Eberton Silvestre Guimarães Barros, de 41 anos, com um pedaço de madeira. Naquele momento, Eberton já estava gravemente ferido por disparos de arma de fogo.

O crime aconteceu em 11 de agosto de 2026. Eberton estava podando uma árvore na companhia do filho quando o vizinho chegou e exigiu que o serviço fosse interrompido. As duas famílias já tinham desavenças relacionadas aos limites das propriedades rurais.

De acordo com as investigações, o vizinho sacou um revólver e atirou contra Eberton, que caiu ferido. O filho da vítima tentou conter o agressor, mas os dois entraram em luta corporal. Durante o confronto, o jovem conseguiu tomar a arma e atirou contra o vizinho, que morreu no local.

Depois, o rapaz saiu em busca de socorro para o pai. Foi nesse intervalo que, conforme a denúncia do Ministério Público, o filho do homem morto se aproximou de Eberton, virou seu corpo e desferiu um golpe de madeira em sua testa. O ferimento teria provocado traumatismo craniano e fratura. Eberton foi levado a um hospital em Caratinga, mas não resistiu.

Filho da vítima teve legítima defesa reconhecida

Na mesma manifestação, o Ministério Público pediu o arquivamento da investigação contra o filho de Eberton pela morte do vizinho. Os promotores entenderam que o jovem agiu em legítima defesa própria e de terceiros ao tentar proteger a si mesmo e o pai.

Segundo o MPMG, o rapaz tentou conter a agressão inicialmente sem recorrer à arma de fogo. Ele só efetuou os disparos depois que o vizinho continuou avançando contra ele e Eberton, mesmo após ser desarmado. Para os promotores, não foram encontrados elementos que indicassem excesso na reação.

Denunciado pode ser levado a júri popular

O Ministério Público pediu que o homem denunciado seja pronunciado e submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri da Comarca de Inhapim. Também solicitou o pagamento de indenização mínima de R$ 150 mil aos sucessores de Eberton.

Entre as medidas cautelares cuja manutenção foi solicitada estão a proibição de contato com o filho da vítima e seus familiares, além da obrigação de manter distância mínima de 200 metros do jovem.

A denúncia foi apresentada pelos promotores de Justiça Jonas Junio Linhares Costa Monteiro, da 2ª Promotoria de Justiça de Inhapim, e Igor Heringer Chamon Rodrigues.

O oferecimento da denúncia não significa condenação. O caso ainda será analisado pela Justiça.