Justiça JUSTIÇA
Onze anos após tragédia de Mariana, ação contra BHP na Inglaterra pode ter participação de Minas
Escritório que representa atingidos pretende procurar Cleitinho para discutir entrada do estado no processo; Justiça inglesa já reconheceu responsabilidade da mineradora
05/11/2026 20h48
Por: Click de Minas
📷 Reprodução

Onze anos depois do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, a participação do governo de Minas Gerais na ação judicial contra a mineradora BHP, que tramita na Inglaterra, poderá voltar à discussão.

O escritório internacional que representa vítimas do desastre pretende procurar o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) nos próximos meses para avaliar a possibilidade de o estado integrar o processo.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (5) pelo advogado Elias Souto, colaborador do escritório Pogust Goodhead e diretor institucional da OAB-MG. Segundo ele, a intenção é conhecer a posição do futuro governo mineiro e verificar se ainda existem caminhos jurídicos para a participação estadual na ação.

Governo de Minas poderá voltar à discussão

Souto explicou que o governo mineiro já havia sido convidado a integrar a ação na Justiça inglesa, mas optou por não participar. Agora, uma eventual mudança de posicionamento dependerá da avaliação do novo governo e das possibilidades jurídicas existentes.

Um dos obstáculos apontados pelo advogado é o acordo de repactuação firmado no Brasil em 2024. O governo de Minas participou das negociações, e a eventual concessão de quitação relacionada aos danos pode representar um impedimento jurídico para que o estado ingresse na ação internacional.

Souto afirmou que a situação precisa ser examinada, especialmente diante dos efeitos jurídicos do acordo.

Justiça inglesa reconheceu responsabilidade da BHP

Em novembro de 2025, o Tribunal Superior de Londres reconheceu a responsabilidade da mineradora BHP pelo rompimento da barragem de Fundão. A estrutura era operada pela Samarco, empresa controlada pela Vale e pela própria BHP.

O processo entrou agora na etapa de quantificação dos danos, que busca estabelecer os prejuízos provocados pelo desastre e os valores correspondentes às reparações.

De acordo com Elias Souto, provas estão sendo produzidas para uma audiência prevista para abril de 2027. Atualmente, 40 clientes do escritório estão sendo ouvidos nessa etapa do processo.

Em fevereiro deste ano, a Justiça inglesa também determinou que atingidos que já receberam indenizações no Brasil deixem a ação em Londres.

Impactos no Leste de Minas

O assunto também interessa diretamente aos municípios do Leste de Minas, entre eles Governador Valadares, que sofreu os impactos do rompimento.

Em novembro de 2015, os rejeitos de mineração percorreram o Rio Doce, provocando danos ambientais e afetando o abastecimento de água em diversas cidades ao longo da bacia.

Em Governador Valadares, a população enfrentou a interrupção do abastecimento de água após a contaminação do Rio Doce, principal fonte de captação do município.

Onze anos do rompimento de Fundão

O rompimento da barragem de Fundão aconteceu em 5 de novembro de 2015, em Mariana, e deixou 19 mortos. A onda de rejeitos percorreu centenas de quilômetros pela bacia do Rio Doce, atingindo comunidades, ecossistemas e municípios mineiros e capixabas.

Onze anos depois, a responsabilização das empresas e a reparação dos danos continuam no centro das discussões judiciais e institucionais.