O encerramento da produção de aço da Gerdau em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, mobilizou autoridades municipais, parlamentares e representantes da empresa em busca de alternativas para preservar empregos e viabilizar uma possível retomada das atividades.
A crise levou uma comitiva mineira a Brasília, onde ocorreu, na quarta-feira (4), uma reunião com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB). Participaram do encontro a prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida (Avante), as deputadas federais eleitas Ana Elisa Silva (PT) e Lohanna França (PV), além de representantes da Gerdau.
Segundo a prefeitura, a decisão da siderúrgica afeta diretamente cerca de mil trabalhadores, incluindo empregados próprios e terceirizados, e também repercute sobre fornecedores, prestadores de serviços e estabelecimentos comerciais. Conforme informações divulgadas pelo jornal O TEMPO, cerca de 280 trabalhadores foram demitidos após o anúncio do encerramento da produção, feito na terça-feira (3).
Durante a reunião, uma das principais preocupações apresentadas foi a concorrência do aço importado, especialmente de produtos provenientes da China.
Segundo a deputada eleita Lohanna França, em declaração ao jornal O TEMPO, Geraldo Alckmin acionou o secretário nacional da Indústria para avaliar possíveis medidas de proteção ao setor siderúrgico brasileiro.
Entre as alternativas discutidas está a possibilidade de elevar tarifas de importação de determinados produtos de aço que estejam ingressando no Brasil em volumes elevados.
A parlamentar também relatou que o vice-presidente abordou investigações relacionadas à prática de dumping, caracterizada, em termos gerais, pela exportação de produtos a preços inferiores ao valor normal praticado no mercado de origem. Até o momento, não houve anúncio de uma medida específica resultante da reunião.
Apesar do encerramento anunciado pela Gerdau, a deputada federal eleita Ana Elisa Silva afirmou que ainda existe a possibilidade de retomada da fabricação de aço na unidade de Divinópolis.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, a parlamentar declarou que a siderúrgica estaria passando por um processo de hibernação, o que, segundo sua avaliação, não representaria necessariamente o encerramento definitivo das operações.
A deputada também defendeu a mobilização das autoridades em busca de soluções para os trabalhadores atingidos. A possibilidade de reativação, entretanto, ainda não foi confirmada oficialmente pela Gerdau.
A prefeita Janete Aparecida também ampliou os contatos políticos para tentar reduzir os impactos econômicos da paralisação.
Além da reunião com Alckmin, ela se encontrou em Brasília com o deputado federal e senador eleito Domingos Sávio (PL), que manifestou preocupação com a situação da siderurgia nacional. O parlamentar atribuiu parte das dificuldades enfrentadas pelas empresas brasileiras à carga tributária e à concorrência do aço importado, particularmente o produzido na China.
Na quinta-feira (5), a prefeita também se reuniu com o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), para discutir possíveis ações em defesa dos empregos e da atividade industrial no município.
Em manifestação divulgada nas redes sociais, Janete destacou que a situação envolve não apenas uma empresa, mas também o desenvolvimento econômico e o sustento de famílias que dependem da atividade siderúrgica.
Ao anunciar o encerramento da produção de aço em Divinópolis, a Gerdau informou que a decisão foi motivada por dificuldades de competitividade da operação.
Entre os fatores apontados pela companhia estão os custos de obtenção de minério de ferro, o aumento das importações de aço no mercado brasileiro e as condições desfavoráveis do mercado internacional, que também comprometem as exportações.