A Uber, empresa que ajudou a popularizar o transporte por aplicativo no Brasil, enfrenta uma realidade diferente em Governador Valadares. Na cidade, a plataforma tem perdido espaço para concorrentes como 99 e inDrive, que ganharam presença no cotidiano de passageiros e motoristas.
A disputa local contrasta com os planos de expansão tecnológica da companhia, que pretende ampliar sua atuação no mercado de veículos autônomos.
Preço das viagens, disponibilidade de motoristas, tempo de espera e condições oferecidas aos profissionais estão entre os fatores que influenciam a escolha dos usuários. A concorrência no setor mostra como a preferência pelos aplicativos pode variar de uma cidade para outra.
A 99 já havia anunciado, em 2023, a chegada do recurso 99Negocia a Governador Valadares. A ferramenta permite que passageiros e motoristas negociem o valor das corridas, oferecendo mais flexibilidade na contratação das viagens.
A inDrive também mantém atuação na cidade e chegou a participar, em outubro de 2025, de um encontro com motoristas locais, promovido em parceria com entidades de representação da categoria.
Com propostas diferentes e estratégias voltadas tanto aos passageiros quanto aos profissionais, as duas plataformas conquistaram espaço na disputa pelo mercado de transporte por aplicativo em Valadares.
Enquanto enfrenta a concorrência no mercado tradicional, a Uber prepara uma nova etapa de seus investimentos. A empresa pretende ter mais de 2 mil veículos autônomos disponíveis em seu aplicativo até o fim de 2027.
A meta representa quase o triplo da frota projetada para o encerramento de 2026, quando a companhia espera contar com aproximadamente 700 veículos desse tipo. Os carros já operam em cidades dos Estados Unidos, Reino Unido, Croácia e Japão.
A estratégia envolve parcerias com empresas de tecnologia e fabricantes de automóveis. Entre os projetos está a utilização da tecnologia da Nuro em veículos da Lucid, com previsão de início comercial nos Estados Unidos em 2027.
A Uber também prepara a integração dos veículos autônomos da Zoox, empresa pertencente à Amazon, ao seu aplicativo em Las Vegas.
Apesar dos investimentos internacionais, a chegada dos chamados robotáxis ao Brasil ainda não tem previsão próxima. A operação depende de mudanças na legislação brasileira, especialmente nas regras de trânsito para permitir a circulação comercial de veículos sem condutor.
Os custos da tecnologia também representam um obstáculo, principalmente em mercados como o brasileiro, onde as tarifas das corridas são menores do que nos Estados Unidos.
A própria direção da Uber já sinalizou que espera uma convivência prolongada entre motoristas humanos e veículos autônomos. A empresa não prevê uma substituição imediata dos profissionais que trabalham nas plataformas.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a 2025, apontam que aproximadamente 905 mil pessoas tinham a condução de automóveis por meio de aplicativos como atividade principal.
O número considera apenas quem depende dessa atividade como principal fonte de trabalho e não inclui todos aqueles que utilizam as plataformas para complementar a renda.
Enquanto a Uber investe no futuro da mobilidade, a disputa pela preferência dos passageiros continua acontecendo nas ruas. Em Governador Valadares, 99 e inDrive aparecem como alternativas que conquistaram espaço em um mercado no qual a força de uma marca nacional não garante, necessariamente, a liderança em todas as cidades.