A falta de água em Dom Cavati voltou ao centro do debate político municipal. Na 18ª Reunião Ordinária de 2026 da Câmara Municipal, realizada em outubro, os vereadores aprovaram um requerimento do vereador Márcio Leandro da Silva (PDT) para a realização de uma audiência pública sobre as constantes interrupções no abastecimento de água.
A proposta prevê a participação da Prefeitura, da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), da entidade reguladora competente e da população. O objetivo é esclarecer as causas do problema, discutir as responsabilidades dos envolvidos e buscar medidas emergenciais e definitivas para garantir o fornecimento de água no município.
Na justificativa do requerimento, Márcio Leandro afirma que os problemas no abastecimento se arrastam há anos e comprometem a qualidade de vida dos moradores, a higiene, a saúde pública, as atividades comerciais e a rotina das famílias.
O documento também menciona cobranças anteriores e o encaminhamento de demandas ao Ministério Público em busca de esclarecimentos e providências. Segundo a justificativa, as medidas adotadas até agora não foram suficientes para garantir uma solução definitiva.
A audiência pública pretende ampliar a discussão e permitir que os moradores apresentem reclamações diretamente aos representantes dos órgãos responsáveis. A proposta prevê ainda o registro dos questionamentos e a elaboração de uma ata com as respostas e os encaminhamentos definidos.
Além de cobrar explicações da Copasa, o requerimento coloca em discussão a atuação da administração municipal no acompanhamento dos serviços de abastecimento.
Entre os pontos previstos estão as providências adotadas pela Prefeitura junto à concessionária e aos órgãos reguladores, a situação do Plano Municipal de Saneamento Básico e a possibilidade de implantação de um plano emergencial para reduzir os impactos das interrupções.
O vereador propõe avaliar a instalação de reservatórios públicos de água potável em locais estratégicos, desde que haja viabilidade técnica, além da disponibilização de caminhões-pipa e pontos emergenciais de distribuição.
O documento também prevê a análise de medidas prioritárias para unidades de saúde, escolas e pessoas em situação de vulnerabilidade. A proposta inclui o levantamento dos custos, das possíveis fontes de recursos e dos prazos necessários para a execução das medidas.
A discussão sobre a falta de água ocorre em meio às negociações sobre o futuro dos serviços de saneamento em Dom Cavati. Em matéria publicada em 26 de agosto de 2026, o Click de Minas noticiou que o contrato de concessão da Copasa havia vencido e que a Prefeitura precisava decidir como garantir a continuidade dos serviços de água e esgoto no município.
Na ocasião, o prefeito Jadinho falou sobre as dificuldades jurídicas e financeiras envolvidas nas negociações durante participação no programa Café com Prefeito. Segundo ele, a decisão exigia cautela diante da responsabilidade de firmar um contrato de longo prazo.
O prefeito também apontou o custo da implantação e da operação de uma rede de esgoto como um dos principais desafios para municípios de pequeno porte, cuja arrecadação pode não ser suficiente para custear os investimentos necessários.
Ainda conforme a reportagem, a Prefeitura havia realizado reuniões em Belo Horizonte com a diretoria da Copasa para buscar um entendimento sobre a continuidade dos serviços. Jadinho afirmou que pretendia chegar a um acordo favorável ao município, mas não descartou a possibilidade de uma nova licitação caso outra empresa apresentasse uma proposta mais vantajosa.
O requerimento aprovado prevê que a Presidência da Câmara defina a data e o horário da audiência pública. A proposta solicita convites formais ao prefeito e aos representantes da Copasa, além da participação da entidade reguladora, do Ministério Público e de outros órgãos pertinentes, respeitadas suas atribuições.
A concessionária deverá ser instada a apresentar um diagnóstico das causas das interrupções, informações sobre investimentos realizados e previstos, medidas corretivas e um cronograma para a regularização do serviço.
Já a Prefeitura deverá esclarecer as providências adotadas para acompanhar as obrigações da prestadora e avaliar alternativas emergenciais para reduzir os prejuízos à população.
A expectativa é que o encontro vá além das explicações e resulte em encaminhamentos com responsáveis, prazos e mecanismos de acompanhamento. Enquanto o futuro contratual dos serviços de saneamento segue em discussão, a regularidade do abastecimento permanece como uma demanda imediata dos moradores de Dom Cavati.
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