A decisão do BC (Banco Central) de elevar a taxa básica de juros novamente em 0,75 ponto percentual, vai trazer um impacto perverso nas contas públicas. Somado à alta anterior, o rombo chega na faixa dos R$ 50 bilhões, valor suficiente para bancar a nova rodada com quatro prestações do auxílio emergencial.
A análise leva em conta que cada aumento de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros tem condições de elevar a dívida pública em R$ 25 bilhões. No caso das duas altas consecutivas que levaram a Selic a 3,5% ao ano, o rombo pode alcançar os R$ 50 bilhões.
Para uma base de comparação, o custo estimado da nova rodada com quatro parcelas do auxílio emergencial destinado a mais de 45 milhões integrantes da população mais carente tem um custo estimado de R$ 40 bilhões aos cofres públicos.
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João Leal, economista da Rio Bravo Investimentos, julga como correta a elevação da Selic e avalia que o impacto é necessário para conter o recente avanço da inflação, que superou no mês passado o teto da meta estabelecida pelo governo para o período acumulado de 12 meses.
"As duas coisas precisam ser independentes. O Banco Central não pode considerar o impacto na dívida pública nas decisões nas decisões que envolvem a política monetária. A dívida pública é administração do Tesouro", afirma Leal.
A DPF (Dívida Pública Federal) do Brasil cresceu 0,85% em março e alcançou os R$ 5,242 trilhões, de acordo com dados do Tesouro Nacional. Desse total, os títulos que variam com a Selic correspondem a um terço (33,7%) do endividamento, o equivalente a R$ 1,766,48 trilhões.
Segundo Leal, o aumento da taxa de juros também tem o potencial de atrai investidores para o Brasil. "Os estrangeiros estão voltando a comprar parte de dívida brasileira. E, a partir desse momento, há um espaço para o financiamento do endividamento. Então, a visão é de que essa alta traz mais benefícios do que malefícios para a economia", destaca o economista.
Diante do atual cenário econômico, a expectativa do mercado financeiro é de que a taxa básica de juros ainda suba mais 2 pontos percentuais nos próximos meses e feche 2021 no patamar de 5,5% ao ano, o que elevaria ainda mais a dívida pública em mais R$ 75 bilhões.
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