Um homem de 28 anos foi preso preventivamente suspeito de usar um grupo de WhatsApp destinado à divulgação de trabalhos freelancer para atrair mulheres e cometer estupros em Ipatinga, no Vale do Aço.
Segundo a Polícia Civil, ele se passava por uma mulher chamada Letícia, que supostamente procurava uma babá para cuidar da filha de quatro anos. Até o momento, uma vítima procurou a polícia, mas o investigado afirmou ter entrado em contato com cerca de 10 mulheres.
A investigação começou depois que uma mulher denunciou ter sido vítima de violência sexual no dia 20 de outubro. Segundo a Polícia Civil, ela fazia parte de um grupo de WhatsApp usado para divulgar oportunidades de trabalho, incluindo serviços de babá, faxina e outras atividades.
A vítima contou que recebeu uma mensagem de uma pessoa que se identificava como mulher e oferecia um serviço de babá, das 18h às 22h. O encontro foi marcado perto de uma farmácia, onde ela aguardaria a suposta contratante.
Depois, a mulher recebeu uma mensagem informando que um amigo de confiança iria buscá-la de moto e levá-la até a residência; ela aceitou a carona acreditando que estava a caminho do trabalho. Durante o trajeto, o motociclista disse que passaria pelo bairro das Águas, alegando ser um caminho mais curto; em seguida, parou em uma rua de terra e mandou a mulher descer da moto. Nesse local, segundo a denúncia, o homem a obrigou a praticar atos sexuais.
Após a violência, a vítima voltou a subir na motocicleta e foi deixada no bairro Cidade Nova; o suspeito teria dito que a mulher responsável pela contratação iria buscá-la ali, mas ninguém apareceu. A vítima pediu ajuda, recebeu atendimento hospitalar e procurou a Delegacia de Crimes contra a Mulher para denunciar o caso.
A partir das mensagens trocadas com a falsa contratante, os investigadores conseguiram identificar o suspeito. A prisão preventiva foi decretada nesta quarta-feira (28), e ele foi localizado no local de trabalho. Durante a operação, a polícia apreendeu a motocicleta que teria sido usada para buscar a vítima, um celular e um pen drive.
Segundo o delegado responsável pelo caso, o homem não tinha antecedentes criminais conhecidos e havia retornado recentemente dos Estados Unidos, conforme informações repassadas pela família.
Em depoimento, o investigado negou ter cometido estupro e alegou que os atos foram consensuais. Ele também teria afirmado que entrou em contato com cerca de 10 mulheres por meio do grupo, usando a identidade fictícia de uma mulher para atraí-las. Até agora, porém, apenas uma vítima registrou denúncia, e a polícia pede que outras possíveis vítimas procurem a delegacia.
A Polícia Civil orienta mulheres que tenham recebido propostas semelhantes ou que reconheçam o modo de abordagem a procurar a Delegacia de Crimes contra a Mulher de Ipatinga. A corporação informou que os relatos serão apurados e que, conforme cada caso, poderão ser solicitados exames e documentos médicos.
O delegado recomendou cautela ao contratar ou aceitar trabalhos por meio de grupos virtuais: buscar referências de quem oferece ou contrata o serviço, tentar confirmar a identidade da pessoa por ligação telefônica e informar alguém de confiança sobre o local do encontro. A investigação continua para esclarecer se outras mulheres foram vítimas do suspeito e verificar as circunstâncias dos contatos que ele afirma ter feito.
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